No meio de tanto que falar e tanto que dar a conhecer, pensa-se até que seja uma perda de tempo a opinião de um adolescente sobre o seu próprio estado de adolescência, a verdade é que preferi contar a verdadeira história desta geração, do que cair na asneira de opinar sobre um assunto erradamente.
Somos a geração da descoberta. Onde não deixamos nada por esclarecer, por viver ou por sentir. Flutuamos neste tempo, com o corpo sempre apto a uma nova aventura, com os olhos bem abertos para poder observar com clareza e o discurso claramente disponível a entrar em acção.
O movimento e a rapidez deste, está-nos no sangue, isto porque acomodarmo-nos a seja qual for a situação, não faz parte da nossa maneira de ir vivendo. Gostamos de ser diferentes, gostamos de fazer a diferença, gostamos de marcar com a diferença. Aliás todas estas Primaveras com que contamos jamais as viveremos, porém ainda existem aqueles que acreditam na tal “próxima vida”.
No que diz respeito a princípios e valores admito que estamos ainda muito “crus” para argumentar sobre o assunto. É preciso possuirmos um juízo devidamente justificado e sólido e, para já não me sinto apta a revelar seja o que for acerca do tema. Aliás sinto que somos ainda fruto desta sociedade onde predomina a instabilidade e a moda reflecte-se, ainda que tristemente, na ética e na ideologia de cada um. Sei que o nosso Respeito para com outro “passageiro” é um grande paço para a partilha de conhecimentos e desenvolvimento de relações entre mentes distintas.
Com uma aparência ou um espírito desigual, faremos sempre novos amigos, socializar é pois a base da sobrevivência e, é lei nas nossas relações.
Na nossa infância fomos o que não somos agora, temos mais anos de vida em cima de nós, desenvolvemo-nos e experimentamos diferentes sabores da sociedade e deste planeta, mas ainda gostamos de sonhar, de fantasiar, de fazer asneiras, de rir do que não tem piada, de acreditar naquilo que ninguém acredita, de sermos felizes sem sabermos que o somos, de construir todos os dias um futuro onde acabamos com príncipes e princesas no meio de criações animadas, quer isto dizer que de vez enquanto ainda gostamos de ser crianças.
Passados os tempos de catraios, andamos neste paraíso tentado atingir o céu, permanecendo debaixo do sol, trocando afectos com a água, observando muitíssimo bem o sabor daquilo que é natural. Apesar da louca paixão pelo calor, seja no quente ou no frio, lá residimos nós, imparáveis, com o sorriso de sempre estampado no semblante de cada um.
Sentados na areia, é rara a vez que dizemos “nunca”, por vezes caímos é certo, mas também quem disse que nós tínhamos o poder sobre tudo?
Desejamos com força crescer e ser justos, crescer e ser verdadeiros, saber qual a verdade, ter a total coragem e ter a total valentia. Não o somos? Não as temos?
No que diz respeito ao grupo de selecto dos meus amigos, acho que nos vamos completando uns aos outros. Fazendo uns, a melodia e outros, o ritmo, balançando ao som da existência. Cedo ou tarde, sempre juntos, espalhamos frescura pela deliciosa viagem da vida.
Com as nossas mãos sempre dadas, os pés sempre no socalco, a pedir sorte, ao bom sabor do vento, com o coração repleto de amor, uma canção bem cantada, pedimos para continuar com sossego o nosso passeio. Sim porque afinal, aqueles que meus amigos são, passam comigo pelo sacrifício, seja qual a for a estrada que eu escolha ou que eu percorra eles andam ali, vença ou perca. Com a plena harmonia para alcançarmos o nosso destino, festejamos como um só, permanecendo até o trabalho acabar.
Aquilo que vai vindo, não magoa o nosso chão, o fracasso que nos parece de momento tão grande, desaparece com o melhor dos sentimentos, a amargura que nos invade nas alturas em que de facto as realidades não correm pelo melhor, é atenuada por um misto de união e força, é a isto que chamo de pura amizade, de pura adolescência.
A nossa voz é imortal, sonhamos nós, e não só, o sonho acompanha-nos permanentemente, tornando a garra de vencer ainda mais forte, faz de nós ainda mais crianças e ainda mais adultos.
Por tudo aquilo que acreditamos, que idealizamos, que prometemos e que loucamente ambicionamos ser real, admiramo-nos uns aos outros. Cada fragmento de nós, compõe esta nossa jornada e, naquele que será o futuro onde nos projectamos, desta mesma maneira.
Portanto a vida que nos permita viver e nós que deixemos a vida mostrar-nos o quiser, por aqui neste planeta vamos continuar a deambular assim.
7 De Agosto de 2008
Renata Silva
